quarta-feira, 24 de junho de 2009

VOCÊ GOSTARIA DE SER JUIZ ORNITOLÓGICO?


Por Álvaro Blasina

A atividade de Juiz Ornitológico, representa uma tarefa no mínimo ambígua pelos prazeres e renuncias que ela implica. De um lado da balança, encontramos inúmeras satisfações. A confraternização e novos amigos conquistados, a incrível oportunidade de apreciar o que de melhor os criadores conseguiram produzir no ano, e a satisfação da missão cumprida no aporte pessoal para o desenvolvimento da nossa ornitologia. Do outro lado da balança, o juiz deve passar primeiro por uma prova exigente, para depois, quando da época das exposições renunciar honorariamente à família, trabalho e lazer , encarar viagens cansativas num país de dimensões continentais, dormir em lugares nem sempre apropriados e comer comidas nem sempre muito apetitosas e balanceadas.

Resulta inegável que de qualquer forma, sempre o balanço final é altamente positivo e gratificante sendo que os casos de fabulosa hospitalidade com que somos recebidos, são felizmente ampla maioria.

A responsabilidade de avaliar os exemplares de um concurso é muito grande, pois todos sabemos o quanto os nossos canários representam, a paixão com que eles são criados e a expectativa que toma conta de todos os criadores na hora em que os seus canários vão na mesa. Estamos, no ato de julgar, avaliando um ano inteiro de trabalho dos criadores e um ato falho da nossa parte pode ter como conseqüência a decepção e perda de estímulo de um criador de qualidade.

Nos últimos anos, temos cumprido a tarefa tão ingrata quanto necessária de coordenar as provas para Juiz Ornitológico para Canários de Cor e é várias perguntas tem surgido sobre alguns aspectos do exame.

Pretendemos neste artigo deixar claro tudo sobre essa prova que embora não tenha mudado em nada de sua essência ao longo dos anos, pode apresentar algumas dúvidas para aqueles que pretendem um dia prestar os seus serviços à Ornitologia.


Da inscrição

O candidato à juiz deve pertencer à algum clube ornitológico filiado à FOB. Ele deve, dentro dos prazos estabelecidos, efetuar a sua inscrição, apresentando uma carta do seu clube e pagando a taxa correspondente.


Das exigências

Uma vez aceita a inscrição pela OBJO (e devidamente notificado), o candidato deve, até a realização da prova, acompanhar um mínimo de 3 julgamentos oficiais do segmento que pretende fazer, e enviar à OBJO um relatório sobre cada julgamento que tenha acompanhado. Os juizes oficias OBJO que tiverem atuado nos referidos julgamentos, enviarão à OBJO por sua vez, seus relatórios comentando a atuação dos candidatos a juiz, no que refere aos seus conhecimentos técnicos, comportamento, etc.


A comissão julgadora

É composta por um presidente e 2 ou 3 assessores. Esta comissão tem como missão elaborar e corrigir a prova. Todas as respostas são examinadas pela totalidade da comissão examinadora e as notas dadas por unanimidade.


A prova

A prova para juiz de canários de cor da OBJO consiste de 3 partes fundamentais:

1. Prova teórica

2. Prova prática de reconhecimento

3. Prova prática de julgamento

Prova teórica

Consiste de um questionário de 30 perguntas. As perguntas formuladas são rigorosamente sobre temas publicados no Manual de Julgamento da OBJO, amplamente difundido e ao alcance de todos.

Para ser aprovado e passar às provas práticas, o candidato deve responder corretamente um mínimo de 70% das perguntas formuladas.


Prova prática de reconhecimento

Consiste em reconhecer a cor de 30 canários. Todos os canários colocados para reconhecimento, são canários expostos no Campeonato Brasileiro e premiados pelas mesas julgadoras, de forma a evitar qualquer dúvida com cores eventualmente atípicas.

Esta etapa da prova é considerada de vital importância pois parece obvio que o juiz que irá exercer deva reconhecer com segurança as cores a serem julgadas.


Prova prática de julgamento

Nada mais é do que efetuar o julgamento na sua integridade da mesma maneira como ele é realizado em qualquer concurso. Desta forma, o candidato deverá analisar todos os canários presentes na mesa, identificar se existe algum exemplar mal classificado ( cor diferente da exposta na mesa), defeitos desclassificatórios, escolher os 5 melhores exemplares, colocar os mesmos em ordem, classificar e finalmente pontuar o primeiro colocado utilizando o formulário de julgamento impresso pela OBJO.

Dicas para se preparar para a prova.

Por várias vezes foi cogitada a idéia de efetuar um curso para juiz mas esta idéia resulta muito difícil de se colocar em prática considerando a extensão do nosso pais e a dificuldade e custo elevadíssimo de deslocamento.

Podemos afirmar que na realidade, todo o material para a prova teórica encontra-se no Manual de Julgamento. A prova prática requer efetivamente aptidões naturais do candidato e um treino apurado no que refere à visualização das aves e sua avaliação. Para isto recomendamos simplesmente que o candidato veja o maio número possível de pássaros sempre com olhos críticos, procurando analisar tudo que ele consegue apreciar não importando se os canários que ele está vendo são de qualidade ou não.

Certamente, quantas mais aves o candidato tiver visto, ele terá mais chances de aprovação.

Consulte, pergunte, use dos juizes que você tiver na sua região ou nos julgamentos que estiver acompanhando.

Na hora da prova, a nossa experiência nos diz que os nervos são sem dúvidas um dos grandes inimigos do próprio candidato. Tente manter a calma e faça a sua prova com a maior naturalidade possível. Entenda que a nossa responsabilidade é muito grande no sentido de que os juizes aprovados deverão estar em condições de julgar sozinhos qualquer exposição com um alto grau de segurança e acertos.

O fato de se apresentar a uma prova, já representa um ato de coragem. Considero que todo candidato a juiz, pelo simples fato de prestar exame, já está dando provas da sua coragem e interesse em servir à ornitologia. Nós valorizamos e muito esta atitude e torcemos sinceramente para o êxito de todos.

Boa sorte!!!!


retirado do site: www.blasina.com.br

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